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Autismo: reconhecer os sinais é o primeiro passo para compreender

Juliana Martoni Nutricionista · CRN 85961

Publicado:

Autismo: reconhecer os sinais é o primeiro passo para compreender

Quando falamos sobre Transtorno do Espectro Autista (TEA), muitas dúvidas aparecem: quais são os primeiros sinais? Em que idade eles surgem? Toda criança com determinado comportamento pode ser autista? E como funciona o diagnóstico?

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que envolve diferenças na comunicação e na interação social, associadas a comportamentos, interesses ou atividades restritos e repetitivos. Como essas características podem se manifestar de maneiras muito diferentes.

Por isso, reconhecer possíveis sinais não significa tentar encaixar uma criança em uma lista. É preciso observar seu desenvolvimento de forma ampla, considerando sua história, suas habilidades e suas dificuldades.

Quais são os primeiros sinais?

Os primeiros sinais podem aparecer nos primeiros anos de vida. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, embora algumas manifestações possam surgir nos primeiros meses, muitos sinais se tornam mais evidentes entre 12 e 24 meses.

Entre os comportamentos que podem chamar atenção estão:

  • pouca resposta ao próprio nome;
  • pouco contato visual;
  • dificuldade ou pouca iniciativa para interagir;
  • atraso ou alterações na linguagem;
  • dificuldade para imitar gestos ou ações;
  • pouco interesse em compartilhar experiências;
  • brincadeiras ou movimentos repetitivos;
  • interesses muito restritos;
  • respostas incomuns a determinados estímulos sensoriais.

Um aspecto importante é a atenção compartilhada, que acontece quando a criança utiliza o olhar, gestos ou ações para compartilhar uma experiência com outra pessoa, como apontar para algo interessante ou mostrar um brinquedo.

Também merece atenção a perda de habilidades que já haviam sido adquiridas, como gestos, contato ocular, balbucio ou linguagem.

Mas é fundamental lembrar: um sinal isolado não significa que uma criança seja autista. Esses comportamentos podem estar presentes por diferentes motivos. O que importa é analisar o conjunto de características e a forma como elas afetam o desenvolvimento e o cotidiano da criança.

Identificar sinais não é diagnosticar

A percepção de possíveis sinais é apenas o começo.

Pais, familiares, professores e pediatras podem contribuir para identificar alterações no desenvolvimento. Existem também instrumentos de triagem, como o M-CHAT-R/F, que ajudam a identificar crianças que podem apresentar maior risco para TEA.

Entretanto, triagem não é diagnóstico. Um resultado positivo indica a necessidade de uma avaliação mais aprofundada.

O diagnóstico do TEA é clínico e considera a história do desenvolvimento e as características apresentadas pela criança. Por isso, nenhum comportamento isolado, questionário ou teste é suficiente para confirmar o diagnóstico.

Por que o diagnóstico pode demorar?

Mesmo quando os sinais aparecem cedo, o diagnóstico pode acontecer mais tarde. A variedade das manifestações do TEA, características mais sutis e dificuldades de acesso a profissionais especializados podem contribuir para essa demora.

Por isso, diante de uma preocupação persistente com o desenvolvimento, buscar avaliação é importante. Investigar não significa colocar um rótulo na criança, mas compreender suas necessidades e oferecer o suporte adequado.

O impacto na família

O diagnóstico também pode provocar mudanças na rotina familiar. Pais e responsáveis podem vivenciar sentimentos diferentes, como alívio por finalmente compreender determinadas dificuldades, mas também medo, insegurança e preocupação com o futuro.

Além disso, podem surgir novos desafios relacionados aos cuidados, às terapias, à inclusão e ao acesso a profissionais especializados.

Por isso, o cuidado não deve estar voltado apenas para a criança. Orientar e oferecer suporte à família também faz parte de um atendimento adequado.

Observar não é rotular

Falar sobre identificação precoce não significa transformar cada diferença do desenvolvimento em motivo de preocupação.

Significa observar, investigar e buscar ajuda quando necessário.

Uma criança com atraso na fala, comportamentos repetitivos ou pouca iniciativa social não deve ser automaticamente considerada autista. Da mesma forma, dificuldades persistentes não precisam ser simplesmente ignoradas.

Entre o “é só uma fase” e o “ele é autista”, existe um caminho de investigação.

E esse caminho começa quando alguém percebe que algo merece atenção e decide buscar ajuda.

Reconhecer os sinais não é colocar um rótulo. É uma forma de compreender melhor a criança e oferecer o suporte de que ela precisa.

Referências

  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Transtorno do Espectro do Autismo – Manual de Orientação. 2019.
  • Santos, M. et al. Autismo infantil: os desafios do diagnóstico e as repercussões nas relações familiares. 2024.
  • Zanon, R. B.; Backes, B.; Bosa, C. A. Identificação dos primeiros sintomas do autismo pelos pais. 2014.
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